Arquivo para ‘procedimentos’

Junho 2, 2010

escritos enquanto dançavas

- qual é a oscilação entre ti e o lugar?
quando é que é o corpo, quando é que é o lugar, quando é que é a ausência, o som, ou o desconhecido.´

- a hierarquia vai-se se eu te trouxer o lugar errado com o som certo

- a memória está lá, do raspar na parede, de roçar. inda não é ai o lugar, mas tu já estás lá

Abril 4, 2010

trabalho de corpo

Na concepção de Co é claro um interesse pelo estudo da vertical, desde a configuração do próprio espaço (que para além da verticaldiade da escadaria, contempla também a sinuosidade das evoluções por espirais) até às relações que o próprio corpo configura em gesto…

Destas relações com a verticalidade alguns materiais persistem – talvez mapas ou relações… Em comum estes diagramas tecem percursos apreciativos das sensações de gravidade e anti-gravidade… Onde é que o vector que as orienta é mesmo o mesmo?

Estas observações evidenciam organicamente a interacção de corpo e espaço, não há hipótese de dissociar estas apreciações. E disso emergem ignições sensório-motoras que configuram a proposta de trabalho de corpo que pavimenta esta criação: no percurso de estruturação de cada gesto – desde o escaneamento na propriocepção até a dimensão do visível – buscam-se propostas de comunicação que possam fomentar um diálogo ético-estético entre a instalação e a organicidade do espaço.

O movimento a percorrer trajectos de interacção na observação do corpo desde sua particularidade singular até a dilatação contextual dos seus estados de presença, tornando capaz de relacionar esferas mais amplas de referenciação que habilitem a criação de comunicações objectivas no espaço, suportadas pelo design que se conjuga na adjunção de corpo e ambiente.

A proposta é que as relações apresentadas dialoguem comunicativamente entre a sugestão e a indicação, deixando ao público espaço de escolha, o que demanda que a criação oriente-se de propostas articuláveis e não opressivas.

Janeiro 31, 2010

Corpo, espaço e som

Co é uma instalação audiocoreográfica que parte de duas perguntas.

A primeira: como é que o considerar da indissociação de corpo e espaço implica estas instâncias em accionamentos que são sempre co-dependentes?
A segunda: e do pressuposto da co-dependência como se pode habitar um espaço público questionando as (paradoxais) relações hierárquicas que ali estão?

Primeiramente o que nos interessa nessa exploração é considerar a autonomia e intrínsicalidade de corpo e espaço através da interface do som, donde o evideciar de hábitos desdobra triangulamentos que trazem ao corpo a consciência do ouvido, ao ouvido a consciência do lugar. É nesse resultado que se encontra a pertinência do acontecimento enquanto ampliação de uma realidade vulgar, que como tal se torna distinto e exclusivo. O entendimento dessa vulgaridade aproxima-se da questão relativa a arte vs. real. Qual dos conceitos pertence a si, e qual é a interferência maior. Irá este espaço interferir mais na dança que a dança no espaço? Irá o espaço e a dança interferir mais na audição que a audição no espaço e na dança? Três sujeitos que se objectam, se fundem apesar de sem perderem a sua individualidade.

Como proposta de investigação das relações hierárquicas entre corpo, som e espaço, propõe-se a criação de uma textura corporal co-dependente de aparatos de suporte (estruturas de apoio, corrimãos, paredes, muros, degraus, estímulos sonoros, etc.) presentes no espaço. O corpo cria-se com o espaço onde portanto as formas evidenciam percursos de movimento, borrando assim as noções de sujeito e objecto, de uso e propriedade, de acção e reacção.

Janeiro 7, 2010

partitura para um corrimão na Achada

neiro de 2010

partitura para um corrimão na achada

to dance the choices, sway

to move within ethics, try blurring your way

to consider the other, wait

to walk around waltzing, let the desires wave

listen through the touch

and love as much as u can

then forget all about it

and try to make it worth again…

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