Co é uma instalação audiocoreográfica que parte de duas perguntas.
A primeira: como é que o considerar da indissociação de corpo e espaço implica estas instâncias em accionamentos que são sempre co-dependentes?
A segunda: e do pressuposto da co-dependência como se pode habitar um espaço público questionando as (paradoxais) relações hierárquicas que ali estão?
Primeiramente o que nos interessa nessa exploração é considerar a autonomia e intrínsicalidade de corpo e espaço através da interface do som, donde o evideciar de hábitos desdobra triangulamentos que trazem ao corpo a consciência do ouvido, ao ouvido a consciência do lugar. É nesse resultado que se encontra a pertinência do acontecimento enquanto ampliação de uma realidade vulgar, que como tal se torna distinto e exclusivo. O entendimento dessa vulgaridade aproxima-se da questão relativa a arte vs. real. Qual dos conceitos pertence a si, e qual é a interferência maior. Irá este espaço interferir mais na dança que a dança no espaço? Irá o espaço e a dança interferir mais na audição que a audição no espaço e na dança? Três sujeitos que se objectam, se fundem apesar de sem perderem a sua individualidade.

Como proposta de investigação das relações hierárquicas entre corpo, som e espaço, propõe-se a criação de uma textura corporal co-dependente de aparatos de suporte (estruturas de apoio, corrimãos, paredes, muros, degraus, estímulos sonoros, etc.) presentes no espaço. O corpo cria-se com o espaço onde portanto as formas evidenciam percursos de movimento, borrando assim as noções de sujeito e objecto, de uso e propriedade, de acção e reacção.