Propor uma instalação audiocoreografica é apresentar um modo de organização que contemple simultaneamente matérias de movimento e som. A conjugação destes dois componentes pretende evidenciar diferentes formas de perceber o espaço – mais interior ou exteriormente.
Quando o corpo se move de acordo com o que ouve, um projecto comunicativo enuncia-se tornando o espectador cúmplice. Outrora quando o som e o corpo seguem trilhas díspares é na relação com o espaço que a atenção do espectador se pode focar. Nesses percursos entre diferentes focos de atenção é possível que a apreciação dessa obra considere a autonomia de cada espectador para escolher em qual das camadas quer acompanhar a peça e como pode transitar entre estas possibilidades.
A experiência de interacção do corpo e do som olha para onde se posicionam mutuamente, quando é que se devolvem um ao outro, uma na outra, e qual a sintonia disso é o ponto fulcral deste encontro, esta procura da consciência de um corpo afectando e afectado, em todas as suas fontes e sentidos.
O conceito de site specific abre a porta a uma contemplação passível de ser aprofundada.
É nesta observação que se encontra o desafio de sonorizar este espaço – seria o conceito correcto a amplificação, uma vez que o espaço sonorizado o é. A amplificação transforma-se então numa insistência sonora, que intencionada residirá em si o tal organismo urbano tendencialmente configurado pelo real.

