Público é desafiado com propostas articuláveis e não opressivas

A presença de vários estados corporais, explicitando diferentes níveis de interacção com o ambiente, possibilita a criação de um design performativo em que diversas possibilidades de comunicação sejam instaladas através de variados elementos sonoros – configurando o corpo para disposições mais extrovertidas ou introspectas conforme se calibra com o ambiente a ouvi-lo, a deslocar-se através dele, ou a observá-lo como se o lê-se.

Seja no corpo a fazer-se relevo quando se inscreve em escadas, paredes, chão, corrimãos… Seja na alteração do estado de atenção que a relação com a sonoridade no ambiente provoca na atitude de ocupação do espaço… Interessa propor ao público que passeie também sua atenção por outras instâncias de movimentos, nem sempre coreográficos mas também aleatórios. Esta proposta estrutura-se na atitude corporal que se instaura de modo o acolhimento ou a neutralização de estímulos produzam hipóteses de leituras das relações habilitadas entre corpo e espaço, borrando estes territórios e desobjectificando/ desierarquizado estas perspectivas.

Desta evidenciada interacção entre corpo e espaço é que emergem as ignições sensório-motoras que configuram a proposta de trabalho de corpo que pavimenta esta criação: no percurso de estruturação de cada gesto – desde o escaneamento na propriocepção até a dimensão do visível – buscam-se propostas de comunicação que possam fomentar um diálogo ético-estético entre a instalação e a organicidade do espaço.

O movimento a percorrer trajectos de interacção na observação do corpo desde a sua particularidade singular até a dilatação contextual dos seus estados de presença, tornando capaz de relacionar esferas mais amplas de referenciação que habilitem a criação de comunicações objectivas no espaço, suportadas pelo design que se conjuga na adjunção de corpo e ambiente.

A proposta é que as relações apresentadas dialoguem comunicativamente entre a sugestão e a indicação, deixando ao público espaço de escolha, o que demanda que a criação se oriente de propostas articuláveis e não opressivas.

O Espaço (ii) (i)

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