Na interacção com o espaço surgem e insistem padrões que configuram hábitos coreográficos. É através da selecção destes momentos que a composição se torna cristalina e avança para sua espacialização.
A proposta de investigação pondera a transitoriedade das relações hierárquicas que se estabelecem entre corpo, som e espaço, propondo a criação de uma textura corporal co-dependente de aparatos de suporte (estruturas de apoio, corrimãos, paredes, muros, degraus, estímulos sonoros, etc.) presentes no espaço. O corpo cria-se com o espaço onde portanto as formas evidenciam percursos de movimento, borrando assim as noções de sujeito e objecto, de uso e propriedade, de acção e reacção.
O corpo assume assim uma presença de poro, actuando mais nas vazões que nos preenchimentos – de modo a atentar para as possibilidades de abertura desse espaço advindas de sua própria consistência. No relacionar da presença humana no espaço arquitectónico – urbano, público – ponderam-se modos dessa ocupação ser uma atitude implicada, afectável e criadora de vínculos ao invés de uma imposição opressiva da presença desatenta a pertinência das composições possíveis desde a especificidade do lugar.
A escolha em trabalhar-se numa escadaria corrobora com a evidenciação desse considerar. Ao relacionar o corpo com um espaço que no seu próprio design evidencia a organicidade da criação de hierarquias – especialmente nas relações polares de alto e baixo, de ascensão e descida, de entre outros pares de atitude espacial/corporal – e propomos considerar onde é que estas disparidades se sustentam dinamicamente por tensão de princípios comuns ao invés de estarem estabilizadas. De que modo esta assimetria nos desequilíbrios se constrói a cada contacto.
O Espaço (i)

