Quando se trabalha em profundidade num espaço, deixando-se perceber os elementos que emergem do encontro com o sítio, a matéria de criação adensa as suas condições de ressonar e, num encontro atento, já é possível perceber que há universais em qualquer sítio que reverberam o humano neste lugar independente de onde ele seja/esteja.
Em CO as matérias criativas emergem de um estado expressivo de companhia: de estar com um espaço específico e os contextos que lá existem para poder perceber que texturas e composições pulsam lugar e quais delas são hábitos e relações partilháveis e comunicáveis de modos múltiplos.
O que se está a ponderar nessa proposta de criação site specific é outra consideração acerca das relações entre corpo, objecto e espaço na conformação de um produto artístico deslocável, sempre actualizável. Ainda no princípio do pensamento atrevemo-nos a estabelecer uma ligação entre aquilo que fomos aprendendo com Filomena Molder (1999), «o que caracteriza o texto é a sua traduzibilidade», e a presente consideração de especificidade em relação ao lugar, às pessoas, que revelaria a sua própria recontextualização geográfica e humana.
Nisto é-nos essencial tornar visível de que modo a matéria artística advinde de um encontro contextual específico adquire perspectivas autónomas e auto-organizativas que facultem a própria criação ser co-autora do seu processo e ter mobilidade de se rearranjar de modo coerente conforme a coesão e pertinência das suas propostas.
As questões que movimentam CO (i)

