Criação é co-autora do seu próprio processo

Quando se trabalha em profundidade num espaço, deixando-se perceber os elementos que emergem do encontro com o sítio, a matéria de criação adensa as suas condições de ressonar e, num encontro atento, já é possível perceber que há universais em qualquer sítio que reverberam o humano neste lugar independente de onde ele seja/esteja.

Em CO as matérias criativas emergem de um estado expressivo de companhia: de estar com um espaço específico e os contextos que lá existem para poder perceber que texturas e composições pulsam lugar e quais delas são hábitos e relações partilháveis e comunicáveis de modos múltiplos.

O que se está a ponderar nessa proposta de criação site specific é outra consideração acerca das relações entre corpo, objecto e espaço na conformação de um produto artístico deslocável, sempre actualizável. Ainda no princípio do pensamento atrevemo-nos a estabelecer uma ligação entre aquilo que fomos aprendendo com Filomena Molder (1999), «o que caracteriza o texto é a sua traduzibilidade», e a presente consideração de especificidade em relação ao lugar, às pessoas, que revelaria a sua própria recontextualização geográfica e humana.

Nisto é-nos essencial tornar visível de que modo a matéria artística advinde de um encontro contextual específico adquire perspectivas autónomas e auto-organizativas que facultem a própria criação ser co-autora do seu processo e ter mobilidade de se rearranjar de modo coerente conforme a coesão e pertinência das suas propostas.

As questões que movimentam CO (i)

3 Responses a “Criação é co-autora do seu próprio processo”

  1. Tenho vivenciado um “co” possível aqui em Teresina, capital do estado do Piauí, Brasil. É um projeto que tem “co” no nome: colaboratório. Nele, coexistencia e agenciamento tem sido duas palavras-chaves para entender essa proposta colaboratorial no meu corpo, na minha carne, na minha pele, ou seja, de ser colaboração coletiva como laboratório individual em rede que se atualizam diariamente na potencia de ser e fazer. Enfim, nesse movimento nomade, sinto-me sempre mobilizado e instigado pelo estar/conviver com o outro, estar/conviver com a cidade. É uma necessidade/desejo para/pelo ginasticar ideias: caminho pela cidade, em trajetos conhecidos e outros a conhecer, tornar-me poroso, diluir-me com e na cidade. Aprendi a dar valor a isso aí em Lisboa, no cem, já que já o fazia mas sem a devida atenção. As dinamicas invididuais se confrontam na logica tanto do encontro como da fagulha. E a vida vai se construindo nos interstícios cotidiano de arriscar um pouco a cada “co”.

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